Deconfinement: we are delighted to announce that Les Jardins d’Étretat are open again, every day from 10 am to 7 pm. Mask required to enter.
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2020-01-27

Roteiro Normandia: o que fazer em Étretat

O Roteiro Normandia segue para Étretat, e mostra o que fazer no pequeno vilarejo francês além de visitar as belíssimas falésias brancas eternizadas por Claude Monet.

Uma cidade muito turística, famosa em toda a França por suas alvas paredes calcárias debruçadas sobre o mar turquesa, por suas ostras celebradas até por reis e rainhas, pelas paisagens eternizadas em pinturas dos maiores artistas do impressionismo… Parece que estamos falando de uma grande cidade de veraneio, mas o assunto é a pequena Étretat, situada na Costa de Alabastro normanda. Não estou exagerando: Étretat tem apenas 4 km2 de extensão e cerca de 1400 habitantes. Isso não impede do vilarejo ser visitado por mais de 1 milhão de turistas todos os anos.

O sucesso do turismo de Étretat não é de hoje. Localizado só a 180km de Paris, o vilarejo virou um dos primeiros balneários das famílias endinheiradas parisienses querendo fugir da bagunça das grandes cidades, ainda no século 19. A praia da cidade, toda de cascalho branco, está bem distante do ideário praiano brasileiro, mas ainda assim tem muito o que fazer em Étretat para além da canga e do biquini.

De partida, o que mais atrai gente para lá é, sem dúvida, a vista magnífica das falésias de Étretat. Esses penhascos branquíssimos foram esculpidos pelo vento e pelo mar ao longo dos séculos, e hoje formam dois mirantes naturais imperdíveis, de ambos os lados da cidade. À esquerda da praia fica a falésia d’Aval, a mais famosa. Seu arco e a impressionante agulha de pedra (l’Aiguille) com mais de 70m de altura foram retratados em uma tela importante de Monet, que você pode ver em uma reprodução no calçadão. Pela falésia d’Aval, você pode fazer uma longa trilha que sobe o morro, passa pelo campo de golfe (que tem um bom restaurante), e segue pela maravilhosa formação rochosa. E se a maré estiver baixa, também é possível acessá-la por baixo, onde fica uma gruta cheia de lendas. Esse cenário inspirou o livro ‘A Agulha Oca’, de Maurice Leblanc.

Do outro lado, à direita da praia, fica a falésia d’Amont. Essa é possível subir por uma trilha curta mas bem íngreme, ou também chegar de carro. Dali somos presenteados com uma vista incrível da cidade, com a falésia d’Aval e a grande agulha como fundo, mas não só. No topo da colina ficam a capela Notre-Dame-de-la-Garde, o Museu do Patrimônio de Étretat, e também o monumento l’Oiseau Blanc, ou Pássaro Branco. Ele é uma homenagem ao avião comandado por dois heróis da Primeira Guerra que tentou fazer o primeiro vôo direto entre Paris e Nova York, mas sumiu no Atlântico depois de ser visto pela última vez ali.

Bem perto dali, e uma visita imperdível, ficam os Jardins de Étretat. Criado em 1903 pela atriz da Belle Époque Madame Thébault com uma única árvore, hoje o terreno é coberto por uma vasta mistura de jardins formais franceses, com inspirações inglesas e japonesas. O mais interessante lá, para além das plantas exuberantes e da vista privilegiada, são as dezenas de esculturas espalhadas no verde, de autoria de artistas do mundo inteiro.

Descendo de volta à cidade, o simples fato de passear pelas ruazinhas já é um passeio em si. A arquitetura típica da Normandia, em estilo enxaimel, está por todos os lados e é um passaporte para a Idade Média. E sendo Étretat uma cidade praticamente toda voltada para o turismo, quase todas as casinhas são um restaurante, um café ou uma loja que você pode entrar para conhecer por dentro. Destaque para o Mercado Antigo, uma construção de madeira toda restaurada, que hoje abriga lojinhas com boas opções de souvenires. Antes de parar para comer, vale a pena dar uma volta pela praia. Não só para ver todas aquelas paisagens de baixo, mas também para dar uma olhada nos bunkers construídos à beira mar durante a Segunda Guerra, e que ficaram lá para a posteridade.

Em termos de gastronomia, a Normandia é referência em frutos do mar. E nesse cenário, Étretat é a capital da ostra. Reza a lenda que Maria Antonieta mandava trazer diariamente um carregamento de lá para Versailles, pois as ostras de lá tem um sabor mais suave por ficarem tanto na água salgada quanto na água doce. Hoje, vários restaurantes servem a iguaria preparada de várias formas, inclusive cruas. O mais famoso, sem dúvida, tem o apropriado nome de l’Huitrière. Peça um bom vinho rosé, uma dúzia de ostras frescas e uma mesa com vista do mar. Que mais você precisa? Outra opção para se deliciar com as ostras é, claro, o La Marie Antoinette.

Entretanto, o prato que é a cara de Étretat é o famoso moules et frites, um caldeirão de mariscos em molho a base de creme de leite com batatas fritas. Delícia. Essa é uma das especialidades do descontraído La Flotille. Para uma experiência bem tradicional, vá ao Le Clos Lupin, que fica na casa onde morou Maurice Leblanc. E uma boa opção para quem quer uma refeição requintada é o restaurante do luxuoso hotel Dormy House.

Como deu para ver, com algumas horinhas você roda a cidade inteira, mas passar pelo menos uma noite em Étretat pode ser um deleite (incluindo um deslumbrante pôr-do-sol nas falésias). E boas opções de hospedagem não faltam. O Le Donjon fica em um casarão medieval restaurado com um toque de modernidade e bom humor, para deixar a estadia mais relaxada. E ainda conta com uma piscina glamurosa, coisa rara por ali. Já o Les Tilleuls mantém todo o esplendor do palácio construído em 1738.

Agora, se você for mesmo no esquema bate-volta, ninguém vai te julgar, e você vai adorar Étretat mesmo assim. Saindo de Paris, você chega lá em um pouco mais de 2 horas indo de carro. Senão, também é possível chegar a Étretat pegando o trem para Le Havre ou Rouen, e seguir até a cidade de ônibus. O importante é não perder essa pequena gema polida em plena Normandia.

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